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  • Foto do escritorMagda Cruz

Crónica. "Um nome com cheiro a laca"


Ainda hoje odeio o cheiro a laca.


Quando era pequena, não percebia porque é que a minha avó não sabia ler e escrever. Não percebendo o porquê, sabia que ela não tinha tido a oportunidade de aprender a decifrar as letras. Fui-me apercebendo disso. Não foi uma coisa que tivesse sempre assimilada.


Acho que foi quando passei os dias com ela, naquela casa de que só me lembro do corredor que ia dar a uma sala cheia de velharias. Velharias não. Tesouros. Todas as vezes que lá ia, esgravatava os armários e gavetas. Uma das últimas coisas que trouxe de lá foram uns binóculos. Não sei se ela se apercebia de que eu esvaziava a casa aos poucos. Duvido até que os binóculos fossem dela. Talvez fossem do falecido marido. Agora é de certo falecido, mas nunca o vi, não sei quando partiu. Ah, não era um corredor. O que ia dar à sala dos tesouros era a cozinha. Acho eu.



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