• Magda Cruz

Crítica. "Os vivos e os outros", de José Eduardo Agualusa


Neste livro, três dezenas de escritores são convidados a participar num festival literário na ilha de Moçambique (um pequeno território insular que chegou a ser a capital do país, a que deu o nome) e aceitam porque "há tão poucos [festivais] em África" e porque podia dar inspiração para novos romances, segundo a agente de uma das escritoras.


Durante 7 dias, vivem sem acesso à Internet ou aos telefones, por causa de uma tempestade. Pior do que isso: dois escritores estão desaparecidos. Nunca chegaram à ilha. Pelo meio aparece uma mulher que não tem medo de nadar com relâmpagos, um corvo que desafia as pessoas e adora sentar-se na estátua de Camões, uma mulher que vive o mesmo dia todos os dias.


Durante esses dias, os escritores vão interagindo uns com os outros, criando amizades e discutindo livros, especialmente os livros uns dos outros. Tudo leva uma reviravolta quando alguém bate à porta de Daniel com um manuscrito que lhe é muito familiar.


Este livro é a perfeita combinação entre narrativa poética e ação. Começou a ser escrito a partir do conto "O construtor de castelos", publicado em 2012, e o manuscrito do romance foi revisto por nomes como Mia Couto e Michael Longle. As histórias têm algum fundo de verdade, o que para mim é ainda mais bonito.


Se o final for o que eu percebi, é um livro genial e percebe-se porque foi vencedor do Prémio Pen Clube Português 2021, na categoria de narrativa.


Outro detalhe, que é bem grande, é uma falha que veio ao de cima. Estou tão habituada a ler personagem brancas, de escritores brancos e europeus, que cometi o erro de imaginar as personagens brancas, quando o livro as descrevia como negras. É um aviso para ler livros de outros autores e com mais representatividade. Hei-de falar mais sobre isto numa futura crónica no meu podcast.


Já comecei a ler o livro "A sociedade dos sonhadores involuntários", também de Agualusa, onde Daniel Benchimol e Moira Fernandes também aparecem. Não sabia que estas personagens estavam noutros livros, por isso talvez seja melhor começar por este, e depois por o "Teoria Geral do Esquecimento" e não pelo "Os vivos e os outros". De qualquer modo, a ordem não está a afetar a minha leitura por agora.

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